segunda-feira, 5 de abril de 2010

Doce de Fel

Sabe quando você toma alguma coisa tão rápido que até engasga?
Pois então, esta é minha vida. Um exagero, um copo transbordando.
Ou me ama ou me odeia, numa golada só.
Tussa quem tussir, mas me engole. Amargo ou doce.

Até irrita. Irrita tanto até explodir. Até não irritar mais. Até cansar.
Eu canso também, até parece que não. Mas ganho. Sempre!
Porque ganha aquele que aprende com a queda, esse ganha. Não só quem derruba.
Eu também derrubo, pensa que não? Eu também "desdigo", "desprometo", "desengano" ...
Mas acima de tudo desminto! Com a fúria de quem odeia a real, mas me engole.
Amargo ou doce.

Eu safo, pulo, esguio e saio.
Fico, luto, brigo, bato!
Coração e eu. Quando não mando mato! E engulo. Amargo ou doce.
Eu e eu mesmo me satisfaço.
Eu mais ou eu menos, você me engole é fato

sábado, 3 de abril de 2010

Rio

Estou sentado na beira de um rio
Aonde quase me afoguei por muitas vezes
Estou sentado na beira do rio
Preparando pra mergulhar de novo nas águas agitadas
Estou sentado na beira deste rio

Olhando a maré levar todas as imagens
Percebendo que com água doce
Vai também a minha água salgada
Necessitando me molhar de novo
Sem boias, sem proteções, sem coragem.

Mas agora é tempo de estar sentado aqui.
Na beira.
Deste, dele, o perigoso rio da minha vida.
O único rio em que devo abrir os olhos
Quando estou submerso.

A água deste rio. Que estou sentado na beira agora.
Para poder escrever.